quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

#Desafio12mesesliterários – Cordel



Salve Pessoal!


Eu embarquei neste desafio também, foi uma proposta das meninas do Book and Carpem Diem (Confira aqui) que conheci através do blog da maravilhosa Carol Hermanas que é minha parceira. Quando eu vi achei uma ideia ótima, e também uma oportunidade pra voltar e estar mais aqui com vocês. 



O tema para o mês de janeiro era um livro do seu gênero favorito, e escolhi a Poesia de Cordel. Conheci esse gênero faz pouco tempo, e que não é fácil encontrar nesse lado do país, fui me encantando pela rima, a métrica, a composição, o ritmo, tudo que faz poesia e prosa virar cordel. Quero contar pra vocês, além das resenhas das folhetos que li, um pouco sobre esse gênero, que alguns também chamam de Poesia Popular Brasileira. Ele traz consigo as histórias do nordeste colonial, mais ou menos no período em que foi nascendo, quando a literatura oral era bastante difundida. Muitos folhetos, livretos com pequenos com os contos em verso, trazem consigo as características da região, tanto que se pode sentir o seu próprio sotaque variar quando se lê. O ritmo é que mais me encanta nesse gênero, isso acontece por causa da métrica poética assim o ritmo é sempre garantido. Se você quiser tentar são 7 silabas poéticas em cada linha, com normalmente seis linhas para uma estrofe ou seja uma sextilha, e a regra de ouro é que rimar é obrigatório.


O primeiro folheto foi Padre Cícero e a Vampira de Francisca Pereira dos Santos (Fanka), com 96 estrofes em 36 páginas, com a história do dia que Padre Cícero teve de enfrentar uma Vampira na sua própria igreja. Tudo começa quando um homem que foi seduzido e atacado pela malvada entra na igreja a beira da morte e conta toda a história e falece a li mesmo, e quando ninguém parecia crer, “a vampira tudo em cima” resolveu aparecer para atazanar o pobre do padre e quem, estivesse por lá, que nesse caso era Rita Lee, Caetano, Jorge Bem, Renné Descartes e Anne Rice que foi a mentora de Padre Ciço na batalha.

A Leitura é engraça se classifica como cordel contemporâneo de gracejo ou comédia, e de fato cumpre o que diz. A linguagem pode ser bem arcaica ou apenas giras desconhecidas por nós do lado de cá do mapa, mas nada que o enredo não complemente. A autora usa bastante referência, e eu não sei você, mas isso me deixa animado pra conhecer outras histórias a partir dessas referencias.


O outro foi A Grande Batalha: Juazeiro contra o Crato de Iderval Reginaldo Tenório, um folheto de 16 páginas e 32 estrofes que contam em forma de Poesia popular brasileira a história da Emancipação de Juazeiro, desde mobilização do povo frente aos impostos abusivos cobrados pela prefeitura da cidade de Crato, até posse do primeiro Prefeito Padre Cícero Romão. O clímax da história acontece quando o Estado resolve investir contra Juazeiro para parar a emancipação, mas o povo de Juazeiro muito esperto e persistente vence a batalha contra os soldados e permanecem emancipados até hoje.

Esse folheto me surpreendeu um pouco, se a minhas aulas de história fossem contadas assim, hoje eu saberia muito mais sobre o Brasil. Em cada linha dá pra sentir a paixão do autor pela sua cidade natal, e com se não fosse pouco mesmo dentro da métrica ele conseguiu detalhar a história com nome e datas. Fiquei bastante preso na leitura, as rimas dinamizam o texto e fazem que todos fatos documentados sejam ativos, em movimento constante. Não vou me esquecer dessa história, quero até conhecer Juazeiro!


Bom esse foram milhas escolhas de janeiro, espero que tenham curtido. Ah os desenhos das capas dos folhetos são feitos com xilogravura, basicamente uma estampa entalhada em madeira que acompanha cada folheto de cordel.



Até mais, Salve!

2 comentários:

  1. Cordel é tão bonito.Admiro muito quem consegue escrever com facilidade.Os versos parecem que cantam dentro da gente :)

    beeijão ^^
    http://www.carolhermanas.com.br/

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    1. Sim, quanto mais leio mais me apaixono!!!

      Beijo bonita!!

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